22.5.12

A vida num comboio alucinante


É nostálgico quando se viaja sozinha. Aquele bloco de notas teima em aparecer com frases melancólicas das mais diversas paisagens deformadas que o comboio me proporciona. O comboio tem sempre aquele cheiro de solidão, de alma inquietante que parte sem saber para onde. Viajo sozinha sempre na direcção da mesma linha porque sim. Sem explicação, sem motivo. Viajo para lá, porque é o meu destino. É o destino de querer voar, de querer libertar a angústia, de querer libertar a raiva e a tristeza. É o querer procurar por mim. No final de cada embarque eu grito a minha dor, eu repugno a minha sombra. Porque até essa me assusta. A toda a hora ouço o comboio numa constante agitação, pessoas a entrar e a saírem, buzinas ao mais alto volume e lá ia ele, «pouca terra, pouca terra, u-uuu».
A solidão provoca-me mal-estar. E aquele comboio todavia viveu as minhas frustrações, leu os meus pensamentos, assistiu a cada lágrima derramada e a todos os suspiros lamentados.
As fotografias faziam-me acordar a memória e rever delírios completamente loucos, por vezes histórias que nunca haviam existido. A memória, essa matreira, sempre me pregou partidas muito duvidosas e confusas, que me deixava ficar mal perante outros. A memória, essa que dizem ser a máquina do cérebro, passou a estar incessantemente desactivada, devido ao descontrolo emocional que me provocava. Deixei de me conhecer, achei-me confusa e pouco perspicaz na resolução dos meus controlos, antes comandados.
A certa altura, o comboio já parava numa estação que não a minha. E eu estava perdida...
... Continuava perdida, por becos e ruelas desconhecidas. Perdi-me nas horas que o comboio passava, perdi-me naquela estação. Perdi-me de mim e do mundo...

2 comentários:

  1. Toda tu és alucinante! UAHAHAH :D /V

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  2. Andarás perdida a vida toda, pois é uma incógnita. Mas aproveita cada estação para tirares o melhor dela, caso contrário apanha outro comboio logo a seguir, que esse sim, leva-te para o caminho certo! Beijinho grande*

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