29.5.12

dois anos ♥

Longe de adivinhar o futuro e a realidade que me poderia cercar, pensava vezes sem conta na possibilidade de termos algo mais intenso. Não tinha que ser sério. No fundo, nunca abarquei para esse lado, aliás, para esse teu lado, porque infelizmente eu não te conseguia definir. Conseguir conseguia, mas era tão triste o que te definia na altura. Estupidamente ou não, achei-te por momentos um verme estúpido, capaz até de cheirar mal, tal o aspecto que tanto te caracterizava. Na verdade o teu estilo irritava-me profundamente e  não era de todo compatível comigo. Menina que sonhava com rapaz bem vestido, filhinha dos papás, bastante prendada e certinha. Para ti certamente demais. 
Nunca te caracterizei assim, hoje sinto essa forte necessidade. Tinhas o cabelo grande, pertencias ao gang da Vila e andavas constantemente com calças ao fundo do cú. Além disso tinhas uma rasta. Que para mim se tornou perfeita mas aos olhos de muitos eras um vagabundo. Embora discreto e tímido sempre tiveste tendência a falar comigo, mesmo que por momentos as coisas desabassem lá voltavas tu a invadir a minha vida, a minha privacidade, os meus segredos... Controlavas cada passo, cada história, cada momento como se me conhecesses verdadeiramente bem. Acabava por ser estranho, cada palavra pronunciada, cada mensagem enviada pela madrugada e até mesmo cada chamada que fazias só para me ouvir, era profundamente constrangedor. Não pela forma como actuavas, mas porque eu sempre permiti isso. E era nessas alturas que eu não me reconhecia, não achava normal o facto de falar com alguém que me era integralmente desnecessário, porque simplesmente não me identificava.
Infelizmente, e digo infelizmente porque na altura a minha maturidade não era ainda suficiente para decidir o que realmente queria, e também pela capacidade que os outros tinham em influenciar-me, eu de forma, estúpida e quase que imbecil acabava sempre por dar mais importância ao parecer que ao ser. Não fazia parte de mim, mas na altura, por mais que não o quisesse demonstrar, eu fazia-o. E isso prejudicou-me a vários níveis. Um deles, foi a impossibilidade de ter vivido um amor de longos anos contigo.
Hoje, felizmente, sou diferente. Para mim as pessoas têm valor pelo que são e não pelo que aparentam ser. E ainda bem que o crescimento me proporcionou a clareza dessa distinção. 
Foram longos sete anos de conversa fiada, como quem diz, conversa da treta. Tentavas conquistar-me dia sim dia sim e foi preciso desistires de mim para eu perceber que afinal desperdiças-te sete anos da tua vida a lutar por uma pessoa que era ridiculamente idiota.
Foi bom a tua desistência. Diria que foi na altura certa, no momento exacto. Não cheguei a pensar duas vezes, bastou pensar uma vez apenas para saber que havia chegado a minha altura de correr atrás. Na verdade nunca tinhas sido meu, mas eu achava que tinha de recuperar aquilo que eu própria tinha desperdiçado por causas estapafúrdias.
Uma conquista que levou sete anos, tornou-se na realidade no meu verdadeiro amor, aquele que nunca tinha sido vivido antes. A intensidade com que as coisas aconteceram, o tempo aproveitado para estarmos juntos, o namoro secreto e as borboletas na barriga que me atacavam sempre que íamos estar próximos um do outro. De facto, há coisas que começam por ser nada e acabam por ser tudo. 
E hoje a minha maior felicidade é estar ao teu lado, é viver contigo, é acordar-te todas as manhãs com um beijo de bom-dia e é dizer-te todos os dias eu amo-te. Se sou feliz? Muito. Mas só porque tenho comigo o meu maior orgulho, o meu melhor amigo e maior amor todos os dias da minha vida. E sinto que é como se todos os dias vivesse um novo amor.



2 comentários:

  1. "há coisas que começam por ser nada e acabam por ser tudo", esta vou fixar!
    2 anos, parece que foi ontem! Felicidades, vocês merecem :)

    Andreia

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  2. Gostei tanto ;) Obrigado por tudo macaca!
    beijinho @@

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