2.4.12

aprendi...

Aprendi o significado da palavra distância. Aprendi a dizer não. Aprendi que verdadeiras amizades não têm que conviver comigo diariamente, mas sim em momentos especiais, de tristezas e alegrias. Aprendi a desrespeitar sistematicamente a política, porque me cria um certo fastio ter de respeitar a merda que constantemente impõem. Aprendi a ser fiel a mim mesma, e a cumprir tudo aquilo que sei de que sou capaz. Aprendi a gostar dos inimigos, mesmo mantendo alguma mágoa. Aprendi a lidar com as críticas, mas também aprendi a criticar os outros. Aprendi a dar troco com a mesma moeda. Aprendi a tolerar as ausências constantes de pessoas importantes, tal como aprendi a viver sozinha. Aprendi a fazer amor e sexo. Aprendi a saber cuidar cuidadosamente de alguém que se ama e aprendi a ser extremamente preocupada com tudo. Aprendi a crescer precocemente e por isso preocupações e responsabilidades é o meu prato do dia desde há uns valentes anos. Aprendi a transparecer transparência, mesmo quando queria mostrar uma capa escura. Também aprendi a ser cruel, fria e dura para pessoas que inexplicavelmente são-me adoráveis. Aprendi processos neuropsicológicos que me fizeram ficar a pensar ainda mais no comportamento humano. Aprendi que o comportamento é gerado por causas que nos levam a motivações. Aprendi a saber que toda e qualquer doença é um obstáculo. Aprendi a falar abertamente sobre a morte, embora ainda não a ache totalmente correcta em determinadas circunstâncias. no entanto, e embora de forma ridícula aprendi a aceitar que se trata de um estado de equilíbrio. Aprendi a partilhar um t1 com o meu macaco. Aprendi propositadamente a inventar refeições só para lhe agradar. Aprendi a saborear vinho do porto com ele. Aprendi a namorar muito e a saber o quanto é bom ter sempre aquela pessoa comigo. Aprendi a dizer amor e amo-te. Aprendi a aceitar presentes mesmo que não correspondendo àquilo que desejaria. Aprendi a valorizar a importância de uma família e o quanto é agradável o apoio da mesma. Aprendi que ter muitas amigas, não é necessário, porque há sempre algumas que nos desiludem da pior forma. Aprendi a não confidenciar tudo aquilo que me apetecia explodir, porque na verdade, confidências só nos trazem desgostos maiores, e por isso aprendi a confiar apenas em mim, e naqueles que continuam comigo desde sempre. Aprendi que o afastamento por vezes sabe bem. Aprendi que a união nem sempre faz a força, mas a força supera qualquer união. Aprendi a reconhecer apenas um lado da minha família. Aprendi a deixar de ir à missa, porque cheguei à conclusão que estar lá e não estar era a mesma coisa. Aprendi a pedir desculpa várias vezes, quando reconheço que erro. Aprendi a dar mesmo sem ter grande coisa. Aprendi a brincar mesmo quando o momento era sério. Aprendi a chorar em público. Aprendi a rir no café. Aprendi a fumar cigarros e  experienciei charros mas nunca fui viciada. Aprendi a ser atinada. Aprendi a saborear experiências. Aprendi exageradamente a beber até cair. Aprendi o sabor amargo de uma ressaca. Aprendi a cuidar de plantas, embora quase todas acabem por morrer. Aprendi que cada ser é único e que nada nem ninguém é igual a alguém. Aprendi que 48kg numa pessoa é caso para estar sempre a evidenciar e que acima disso é tudo extremamente obeso. Aprendi a acompanhar com pessoas com piercing no nariz embora eu considere algo demasiado azeiteiro e muito estilo ana malhoa. Aprendi a aceitar que mamas pequenas são fixes mas que médias são ainda melhores. Aprendi também que mamas grandes, trata-se de um excesso e como tal é preciso ser removido todo o tecido adiposo. Aprendi que pessoas feias normalmente acham-se as mais lindas do mundo e que as mais bonitas são sempre as mais simples. Aprendi também que as pessoas excessivamente jeitosas são as que menos se demonstram e as que nem chegam a ser jeitosas, são donas de uma grande exuberância. Aprendi a estar durante duas horas num lar e esquecer-me de todos os cheiros provenientes de um idoso. Aprendi a aceitar as regras e os limites. Aprendi a aceitar um 36 de calças e não um 34, tal como tive de aceitar a usar um M e não um S. Aprendi a conviver com um esgotamento nervoso, sem que ninguém se apercebesse. aprendi a esconder muitas das minhas frustrações e revoltas para não encadear um maior número de problemas. Aprendi a governar uma casa desde cedo. Aprendi a pagar a água, a luz e a internet. aprendi a ir ao banco fazer transferências e pagamentos. Aprendi que vida de emigrante não nada fácil, mas também compensa o esforço. Aprendi a sofrer com a depressão da minha mãe e com a hipertensão do meu pai. Aprendi que estar longe de casa custa um bocado, mas por vezes é preferível. aprendi que falar inglês é um caso complicado, mas para muitas é demasiado fácil. Aprendi a ver filmes com legendas, porque percebo melhor e não me armo nem em burra nem em esperta. Aprendi que afinal francês não é difícil e eu até gosto e consigo falar minimamente bem. Aprendi a não gostar da páscoa, porque quase sempre a passava sozinha e porque não tenho padrinhos. Aprendi a limpar a minha casa sozinha porque a minha mãe gosta de estar deitada no sofá. Aprendi a desenrascar-me e a lidar bem com as minhas tarefas. Aprendi a ser organizada. Aprendi que fotografias são memórias, e que memórias são vivências e é bom recordar. Aprendi que personalidades são traços que adquirimos ao longo da vida. Aprendi a ser escrava, amiga, inimiga, namorada, amante, filha, mãe e dona de casa desesperada. Aprendi a habituar-me. Aprendi a amar incondicionalmente uma pessoa, que é o meu pai porque, aprendi essencialmente a maior parte das coisas da vida com esse grande homem. Aprendi a sobreviver num meio intragável com bruxas e porcos maltratados, mas nem por isso tenho medo deles. Aprendi a viver numa grande cidade e a conviver com pessoas diferentes de mim. Aprendi a cantar e a tocar na tuna. Aprendi a ser praxada e aprendi a praxar. Aprendi que as pessoas em Portugal tem uma mania extrema e que exigem que lhes chamemos doutores. Aprendi que os políticos têm de ter altas bombas mas que na suíça um bancário vai trabalhar de bicicleta. Aprendi a governar-me. Aprendi que a mania da superioridade geralmente é transmitida por pessoas de muito baixo nível. Aprendi que estou longe de ser perfeita, mas que também não faço nada para o ser. aprendi a ser eu. diria até, exageradamente eu.

1 comentário:

  1. Ainda bem que aprendeste a ser tu, porque não conheço ninguém tão perfeito :)
    E lá se vão quaaaaase 23 anos desse ser fantástico que és!

    Obrigada por tudo, por teres estado sempre e também por ter aprendido tanto contigo ;)

    Andreia*

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