10.2.10

Sem lógica

Hoje sonhei com um reencontro. Foi completamente inesperado.
Andavamos os dois num hiper-mercado, cada um de nós conduzia o seu carrinho de compras e como uma cena de filme, cruzamo-nos por acaso. Fiquei perplexa a olhar para ti e corei de imediato. Não estava à espera de te ver, muito menos ali.
Deu para perceber que estás ligeiramente mais magro, mas continuas com o olhar mais lindo do mundo.
Depois de uns segundos perdidos a contemplar a tua imagem, lá me saiu um 'olá'. Tímido e com uma fonia pouco coerente mas foi a minha primeira reacção, e pelos vistos, a única.
Permaneceste parado à minha frente, confesso que te senti surpreso por me veres, sorris-te docemente e fizeste questão de me relembrar muito rapidamente de um milhão daquelas tuas teorias frequentes.
Uma delas foi: 'incrível, como os teus olhos já estão a brilhar por me veres'. Entre outras insignificantes, esta foi a que mais se destacou.
Ouvi-as a todas sempre com um sorriso. Não disse mais nada, não me conseguia expressar. Até gostava de ter desmentido tudo o que disseste, mas nesse dia, quando te vi, senti-me particularmente apática.
Disse-te 'xau', de forma muito inesperada e fria. Continuei a fazer a selecção das frutas que queria levar para casa e fiz um desvio gigante para evitar cruzar-me contigo novamente.
Enquanto aguardava a minha vez para fazer o pagamento das minhas compras no caixa, não conseguia abstrair-me daquilo que tinha acontecido à uns minutos atrás. Era como se estivesse anestesiada por aquele momento em que as recordações eram somente as tuas expressões, as tuas palavras e gestos. 
Sinceramente, eu já nem me lembrava de ti e tu apareces assim... com um carrinho de compras no meio de um hiper-mercado a chocar com o meu. E é que tinha de ser logo comigo. Porquê?
...
Acordei de repente e dirigi-me à casa de banho para passar a cara por água, olhei-me ao espelho e pensei: foi apenas um sonho. Depois de continuar a olhar para a minha cara, ainda ensonada e carregada de olheiras através do espelho, pensei mais uma vez e acrescentei para mim: foi apenas mais um sonho no meio de tantos outros contigo, só contigo e sempre contigo, porra!
O mais provável se fosse realidade era eu ser completamente o oposto da pessoa 'incapaz' que está por detrás do sonho e acabaria por dizer-te um batalhão de coisas, coisas essas que envolvessem unicamente um eu e um tu, já que o nós nunca existiu (por acordos negociáveis e sempre correspondidos e quanto a isso não se discute porque partiu sempre dos dois e foi bom enquanto assim foi). Certamente, aproveitaria para falar da 'nossa' distância inexplicável. E penso que não diria mais nada. E tu irias perceber logo a minha tristeza, sem que fosse preciso referir mais nada.
É que pensando que não, cinco meses é muito tempo.
Mas considerando bem as coisas como elas verdadeiramente são, relações destas, são mesmo assim...sem lógica!...
(...mas felizes?).

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