04/02/2010
Jasmine, há muito que não te escrevo e hoje senti uma vontade enorme de te contar algumas das novidades que por cá se tem passado. Neste momento, estou a viver no 7º andar de um prédio super acolhedor com uns estudantes gregos. Ao todo, somos cerca de oito pessoas e é raro conseguir ver toda a gente num único dia. É que eles querem farra a toda a hora. Apanhei uma borracheira descomunal no passado fim-de-semana, coisa que já não acontecia há imenso tempo. Senti-me bem, pulei, gritei e dancei... eles são demais, transmitem-me uma paz medonha e falam de tudo muito abertamente. Entre eles não existem segredos.
Então vê lá bem, que no outro dia cheguei a casa, depois de ter passado o tempo todo numa instituição de caridade, e sem querer avistei uma cena completamente fora do comum. Não é que o Phil e a Susy estavam um tanto ou quanto embriagados e no acto dessa mesma loucura começaram-se a envolver forte e feio, com isto, estavam totalmente despidos no meio da sala de estar. Eu fiquei estaticamente parva a olhar.
Rapidamente me desculpei pelo incómodo e retirei-me. Enquanto virava costas os dois riam que nem macacos estúpidos fechados numa jaula do zoo.
Mais tarde a Susy, (que ainda por cima é a rapariga que partilha o quarto comigo), veio desculpar-se pelo que tinha acontecido e refutou a ideia de que era regular aquele tipo de cenas se suceder, e ainda realçou o facto de acontecerem não só com ela e com o Phil mas também com restantes elementos daquela casa. No entanto, e como é óbvio entendeu o facto de eu achar anormal. (Ela falava para mim com a maior tranquilidade e eu com a minha habitual cara de pânico, do tipo: 'tas-te a passar?' oh god!)
Como vês, eles são seres um bocado estranhos e exageradamente invulgares. Mas eu nem me importo, com isto acabo por perceber, que realmente, os costumes, os hábitos criados e todos esses processos de aprendizagem ao longo da vida que nos definem como o - 'eu/pessoa' - não passam, de todo, por ficções estruturadas nem esquemas elaborados. São verdadeiramente vividas e sentidas, é uma carga de sensações que eles não evitam, independentemente do que achamos ou vamos achar.
A verdade no meio disto tudo é que transmitem exactamente o que são sem qualquer tipo de rodeio ou problema, identificam-se como um 'eu' desigual é certo, mas completamente seguros daquilo que querem e fazem. Sinceramente, até já se começa a ver muitas pessoas assim com estes tipos de andamento. Pelo menos por cá.
Ahhh... é verdade, antes que me esqueça, os meus companheiros cá de casa, só comem verduras e tudo à base de soja. Vim a descobrir que são todos vegetarianos, achei piada. Porque desde sempre quis ser e nunca tinha conseguido. Agora, é fácil. Aliás, tão fácil que eu já não como carne há mais de dois meses.
É uma questão de hábito. Quem sabe, se eu continuar com eles, daqui a uns tempos poderei ter as mesmas pancas.
É bom estar com pessoas assim, diferentes. É bom saber a forma como eles vêm o mundo. É bom saber que, apesar de figuras ridículas que são, são pessoas que sabem ser muito humanos.
Bem, não sei mais que te dizer. Daqui a pouco vou jantar e depois vou tomar café com a Sara. A Sara é a nova rapariga que está cá a estudar, mora no mesmo prédio que nós, só que no 4º andar. Veio de Espanha, é natural de Valladolid e é super querida. Passa o tempo todo a mandar piadas, o que é uma risota total. Ultimamente ela até tem vindo cá dormir a casa. O sotaque dela é tão engraçado que o Javier passa o tempo todo a chateá-la. Cá pra nós, eu acho que ele gosta dela. Mas isto já sou eu a divagar...
Vou indo.
até breve, ac.
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