27.5.13

sem título

Sinto-me suficientemente crescida. Apesar de nunca acharem realmente isso. Aos olhos de muitos sou ainda a criança que tem os olhos brilhantes porque me deram uma boneca toda xpto. Enganam-se! Eu cresci tanto que sinto que preciso de abandonar, viver tudo aquilo que ainda não consegui viver e dizer adeus àqueles que sempre dominaram a minha liberdade e me aprisionaram os pensamentos. Sinto que não é em vão que as coisas acontecem e por isso está na altura de tomar decisões mais arriscadas, mas ainda assim construtivas e quiçá libertar-me-ei de todos os meus fantasmas. Arrisco-me a tanto, mas tenho tão pouco medo que chega a ser assustador.
Sempre fui produtiva de várias ideias bem como sempre sonhei, não o vou negar aqui e agora. Sempre sonhei muito, por vezes alto demais, outras vezes tão alto que consegui superar todas as derrotas de sonhos incompletos ou até impossíveis. Mas também já sonhei tanto e tão alto que de forma surpreendente foram conquistados um a um. Como conquistas de batalhas duras que têm sempre um sabor mais requintado. Superei e conquistei sonhos que para mim eram muitos deles impossíveis e continuo aqui na mesma - a sonhar. Mesmo que muitos deles tivessem ido pela maré alta de um mar feroz e agressivo.
E por tudo isto não vou deixar de fazê-lo. Cresci tão depressa que a saudade da inocência invade-me melancolicamente. Aquela história de não ter responsabilidades, de não assumir cargos dos adultos e até de não ter de lidar com coisas que são estupidamente cruéis, como ir comprar tampões porque ridiculamente uma vez por mês expulsamos aquele fluxo vermelho nojento, é real. E é portanto por todas estas causas e sacrifícios que sinto uma enorme vontade de voltar a ter nove ou dez anos.
Cresci, de facto. Tão depressa que sinto esta forte necessidade de fugir, sair, correr para longe, juntar-me ou até casar com o homem da minha vida e pensar que depois podemos viver tão descontraídos como saborear um verdadeiro orgasmo sem o conter. 
Nunca gostei de regras, muito menos de alguém que manipulasse aquilo que pretendia no futuro. Nunca gostei que mandassem em mim, porque na realidade sempre assumi tarefas dos outros sem que me mandassem nada. E por isso quero depender de mim e não dos outros, porque só assim encontrarei a liberdade do meu próprio destino.

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