Meu amor, depois de tanto tempo sem te escrever acho que já nem te deves lembrar que existo. O tempo por cá passa a voar. E não tenho tido grande tempo para aproveitar o bom deste país. É tão romântico e acolhedor, que é impossível deixar de pensar em ti, por um segundo que seja.
Tenho saudades tuas. Caio sempre na tentativa de to dizer, porque de facto, sinto saudades de tudo o que construímos e de tudo aquilo que desenvolvias à minha volta, uma segurança e protecção deslumbrante e ainda o teu amor inacabável. Tenho pena que as coisas tenham terminado desta forma. Apenas porque resolvi abraçar um projecto, que acabou por se tornar num sonho e nisto se tornou numa prioridade.
Espero que te encontres bem. Muito provavelmente até já tens outra pessoa contigo, que te faça inteiramente feliz como mereces. E de quem tu tens bastante orgulho de certeza. Tal como tinhas de mim. Só que nunca admitis-te.
Certamente a diferença está na pessoa, na própria personalidade. Deve fazer exactamente aquilo que tu gostas. Passear contigo à beira mar, ir ao cinema, viajar, visitar a capital, ir a museus e ainda deve dar banho ao Dunga com a delicadeza que tu sempre desejas-te, embora tratando-se de um cão rafeiro. Isto sou eu a especular. No fundo, chego a sentir um nó na garganta por te imaginar com outra pessoa que não eu. O coração parece que não aguenta a dor e sinto-me a sufocar. Claro que acabo por compreender que fui eu que provoquei toda esta situação. Mas sinto também que seria para sempre uma fracassada se não cumprisse o meu sonho, o meu verdadeiro sonho. E eu sei, que embora te custe ou te tenha custado, que entendes-te bem a minha partida. Não fosses tu um homem intelectual e cheio de uma soberba cultura, que, por vezes, chegava a incomodar, confesso.
despeço-me mais uma vez, com a incerteza de que esta será a última carta,
um beijinho da tua bichinha, amo-te
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