10.2.11

I

De há uns tempos para cá, dou por mim a odiar pessoas. Mas assim, sem mais nem menos. Odeio e pronto.
Subitamente começo a ouvir ranger o coração e penso que vou morrer. E por este andar morro mesmo. Tenho me ficado por meias palavras, e tenho plena consciência de que antigamente a minha pessoa possuía uma tampa que saltava muito mais rápido do que o agora habitual. E eu por mais que tente, não consigo perceber! E depois choro... opa mas é aquele chorar com vontade, com direito a berros, ranho à mistura e tudo, e se necessário também se parte alguma da loiça cá por casa.
Estou revoltada e por mim existiam mil e uma revoluções por dia, partia-se a boca a uns, puxava-se o cabelo a outros e isto tudo libertava-me do ódio que se tem apoderado do meu ser. E aí sim, sentia-me bem e feliz.
Ontem tive coragem de, pela primeira vez, desabafar cá em casa sobre aquilo que me tem atormentado a mente e tirado o sono durante algumas noites... E a conclusão que cheguei é que o meu irmão, de facto, não tem coração.

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